Como medir o Produto?

Calculo_PIB

Antes de sabermos como se mede o produto de determinado país, é importante referir que a maioria dos economistas assumem, tal como Adam Smith assumiu, que o principal objectivo da Economia é a obtenção de riqueza. E, desta forma, surge-nos a Produto Interno Bruto (PIB) como forma de medição dessa riqueza.

É pelo PIB que normalmente avaliamos se um país está a progredir ou a regredir, pois é considerado um indicador de desempenho competitivo de uma economia. Analisando o caso português, podemos ver pelas estatísticas que em 2008 Portugal encontrava-se no grupo das economias de nível intermédio, apesar de ser um dos países mais abaixo deste grupo (gráfico abaixo) e, para além disso, no que toca ao crescimento do nosso PIB, o país tem apresentado um baixo desempenho.

GDP per head

Nos últimos 20 anos, o crescimento do PIB em Portugal foi induzido de forma artificial, o que se vem reflectir no final dos anos 90 com a diferença cada vez maior entre o PIB e o Rendimento Nacional Bruto, como se pode ver no gráfico em baixo.

PIB e RNB

Dito tudo isto, vamos ver o que pode ser considerado no PIB:

  1. Óptica da despesa: nesta óptica só se considera o consumo final. Desta forma o PIB = Soma de toda a despesa interna.
  2. Óptica do produto: diferença entre a produção total vendida e o custo das matérias-primas e produtos intermédios necessários para a produção. Desta forma o PIB = Soma dos Valores Acrescentados.
  3. Óptica do rendimento: soma dos rendimentos de todas as pessoas na economia em causa. Desta forma o PIB = Soma de todos os rendimentos dos factores.

Constrangimentos ao uso deste indicador:

O PIB por si só não dá grande informação, apesar de ser considerado um indicador de desempenho competitivo. Desta forma, deve ser também analisados os processos associados a esse desempenho, ou seja, há que verificar se a economia está de facto a tornar-se mais competitiva ou não e aqui temos uma série de indicadores que nos podem servir de exemplo, como é o caso:

  • Formação Bruta de Capital Fixo;
  • Investimento em factores imateriais de competitividade;
  • Dinâmicas de inovação (em sentido amplo);
  • Tecido produtivo (associado à criação e destruição de empresas e emprego);
  • Alteração da estrutura produtiva e do perfil de especialização.

Mais sobre este assunto:

Comissão Europeia ( 2010). Investing in Europe’s Future. Fifth report on economic, social and territorial cohesion. Luxemburgo;

FMI (2008). France, Greece, Italy, Portugal, and Spain – Competitiveness in the Southern Euro Area. IMF Country Report No. 08/145;

OCDE (2009). Economic Survey of the European Union. OCDE: Paris;

OCDE (2010) Economic Survey of the Euro Area OCDE: Paris.

Mamede, R. (2011). “Uma integração europeia mal‐sucedida”. In E. Paz Ferreira (Coord.), 25 Anos na União Europeia ‐ 125 Reflexões. Coimbra: Almedina.

OCDE (2007). Economic Survey of the European Union. OCDE: Paris.

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