Estaremos perto de uma nova crise financeira?

Os mercados não são muito difíceis de entender, sobretudo os mercados financeiros, em que já sabemos que quando as coisas correm bem é uma loucura, mas quando é o contrário vemo-nos deparados numa situação muito difícil.

O justo valor dos ativos financeiros têm muito que se lhe diga, pois variam muito estando excessivamente valorizados ou então estão uma “pechincha”. No entanto, qualquer pessoa com bom senso consegue aperceber-se em que situação se encontra os ativos fazendo uma pequena pesquisa, mas o que acontece é que as pessoas esperam gerar lucros ou então têm receio que os seus ativos percam valor.

Quando iniciamos a recente crise financeira pudemos ver que os países mais atacados foram os que tinham economias mais frágeis. No entanto, o mundo atual ainda vive numa perigosa “bolha de crédito” designada por Quantitative Easing, e aqui temos o exemplo das maiores economias mundiais – EUA, China e Japão.

O pior já passou

Ora vejamos então o caso da China, onde a transparência e a regulação interna deixa muito a desejar. «Para responder à crise o país proporcionou os maiores estímulos financeiros da sua história, que levou a que a sua dívida atinja 200% [do] PIB.»

«Um dos perigos advém do chamado ‘shadow banking’, uma rede financeira de seis triliões de dólares de valor onde a obscuridade predomina, não se conseguindo aferir da qualidade do crédito, ou seja, exactamente o mesmo problema que levou à bolha de 2007 com os Swaps contra incumprimento (CDS).»

O mercado imobiliário na China nunca viu maior expansão como antes, pois segunda a reportagem do 60 minutos, de uma estação de televisão, destaca que este mercado vale 20 a 30% da economia do país e dá emprego a 50 milhões de pessoas (cerca de 5 vezes a população de Portugal). Isto não seria problema se isto fosse resultado da procura natural interna, mas a realidade a que assistimos é que ninguém habita estas novas cidades (sendo construídas entre 12 a 24 cidades por ano).

Até o maior construtor do mundo Lesley Stahl afirma o seguinte: “sim, claro que existe uma bolha”, onde já muitos projectos gigantescos estão parados por falta de verbas dos construtores. Isto quer dizer que o topo está a ser atingido, se já não o foi, embora ainda não tenhamos reparado em nenhum efeito secundário. E estes efeitos irão ser dramáticos, basta lembrar-nos do que originou a recente crise financeira de 2007.

Este problema irá aparecer certamente em diversos pontos do globo, mas com especial incidência na Ásia, e ninguém sabe bem como a economia vai reagir ao corte dos estímulos, mas é quase unânime que acontecerá o seguinte:

  • Os activos vão perder valor;
  • No efeito cascata o investimento vai cair e a retracção aparecer.

O problema de ser a China é que nos últimos anos tem sido o grande suporte de outras economias, sobretudo através da compra de matéria-prima e investimento local. Ora, isto faz com que a crise tome proporções internacionais, levando a que outros países voltem a sofrer as consequências da especulação.

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