Dimensões do Conceito de Desenvolvimento

Desenvolvimento Sustentável

A nível individual, este conceito deve ser traduzido para que cada pessoa se sinta atingida pelo desenvolvimento. Do ponto de vista histórico europeu traduz-se na liberdade individual.

A nível social, colectiva e comunitária passa pelo encontro com outros. Ao nível da Europa, isto passa pela igualdade.

A nível ambiental/ecológico, sobretudo na fraternidade ecológica, ou seja, na preservação da terra, pois somos membros de uma casa comum.

Na história da modernidade europeia, a dimensão individual foi colocada em primeiro plano. As outras duas dimensões foram desprezadas, fazendo-as conduzir para a realização do sucesso individual. Isto quer dizer que houve bem-estar colectivo destruído (como é o caso de desigualdades e exclusão social, escravatura, entre outras situações). A natureza também foi secundarizada e explorada a fazer do indivíduo, destruindo-se fauna e flora.

Esta visão da realidade, provocou uma injustiça social e ecológica, que deu origem a várias críticas:

  • As principais críticas ao nível social surgiram de Charles Dickes, Karl Marx e, também, da própria igreja católica, através da Doutrina Social da Igreja (“Renum Novaruem”);
  • As principais críticas ambientais só ganharam força no século XIX e temos como exemplos o Relatório do Clube de Roma, a Conferência de Estocolmo (1972), o economista Ignacy Sachs (anos 70) e Dag Hammarskjold foundation (1975). Também, anterior a estas todas, já tinha havido um movimento de pessoas, designado de Movimento dos “hippies” (anos 60).

Se repararmos bem na representação triangular da realidade, podemos dizer que há aqui uma perspectiva individualista, que corresponde a uma hiper valorização do indivíduo de forma isolada e, consequentemente, da liberdade que é o grande valor deste modelo. Historicamente, corresponde ao modelo de capitalismo liberal.

Isto foi um modelo que surgiu após a Revolução Industrial e predurou todo o século XIX, a primeira metade do século XX e hoje em dia volta com alguma força, embora de forma diferente.

Crítica Marxista

Aqui a comunidade relativizava o indivíduo, em que este deveria estar ao serviço do bem-estar comum. No entanto, a natureza continuava a ser desprezada.

Há apenas uma mudança de vértices e o modelo continua a ser de forma triangular, isto é, continua a desconsiderar várias coisas:

  • Injustiça ao nível individual, dos direitos e liberdades individuais;
  • Injustiças ambientais (exemplo: Chernobyl).

Estas injustiças estruturais, ou seja, advêm do próprio formato do modelo, vão ser denunciadas.

Aqui temos uma perspectiva colectivista, em que há a valorização isolada da igualdade (toda a gente se vestia de igual) e havia um socialismo real.

Esta visão abrangia a Rússia, Europa de Leste, China e Cuba, embora apenas aplicada 30 anos na Rússia de forma isolada e antes da 2.ª Guerra Mundial. Este modelo caiu por terra em 1989 com a queda do muro de Berlim, na Alemanha.

Críticas Ecológicas

Aqui a natureza encontrava-se no vértice superior e coloca para segundo plano o indivíduo e a comunidade.

Há uma perspectiva ecologista primária, com a hipervalorização da natureza, de forma isolada, ao qual podemos designar por fundamentalismo ecológico.

Esta visão nunca foi experimentada por nenhum país, mas por apenas algumas comunidades e vivem sem qualquer acesso a tecnologia, como a electricidade por exemplo.

Desafios actuais

Se considerarmos que estas dimensões são importantes, passamos para uma nova perspectiva sistémica, integrada e interdependente do desenvolvimento. Desta forma, passamos de uma representação triângular, para uma forma circular. Isto seria o desafio da pós-modernidade.

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