A Economia do século XXI

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Os economistas têm sido satirizados por errarem nas estimativas das alterações no panorama económico e ignorarem pistas que apontavam para uma catástrofe repentina na bolsa. Mas agora, nos primeiros anos do terceiro milénio, foram levantadas questões mais fundamentais acerca das alicerces desta disciplina, estas, sim, muito difíceis de ignorar.

A primeira é o facto de as teorias principais, definidas em primeiro lugar por Keynes e depois por Friedman, terem sido testadas sem êxito no século XX, muitas vezes com resultados infelizes.

A segunda é uma falha mais fundamental. Desde os primórdios, o objecto da economia assentava na ideia de que os humanos agem com racionalidade: de que eles agem no seu próprio interesse e que essas acções, num mercado inteiramente funcional, fazem a sociedade melhorar.

Contudo, isto não explica a razão pela qual as pessoas tomam decisões que não são ostensivamente do seu próprio interesse. Não é do interesse de ninguém morrer prematuramente, mas apesar do conhecimento detalhado sobre os perigos do cancro dos pulmões e da obesidade, as pessoas continuam a fumar e a comer alimentos com gordura. Argumentos id~enticos foram apontados sobre as alterações climáticas e a poluição feita pelo homem.

Novas disciplinas como a economia do comportamento revelarem que na maioria das vezes as pessoas tomam decisões baseadas não no que seria melhor para si mas na heurística (regras intuitivas derivadas da sua própria experiência), ou na imitação dos outros.

A abordagem «seleccionar e escolher» À luz do facto de as pessoas nem sempre agirem racionalmente, é possível que os reguladores sejam mais paternalistas no futuro. Existem já, por exemplo, tentativas de regular o mercado das hipotecas de forma mais restritiva, para ser menos fácil aos  consumidores tomarem decisões contra o seu próprio interesse a longo prazo.

A economia está a evoluir de uma disciplina que se baseou numa fé quase ilimitadas na capacidade dos mercados para determinar resultados, para uma disciplina que se questiona sobre a capacidade destes para gerar sempre a melhor solução. À semelhança do romance moderno, que tem uma variedade de estilos, em vez de se limitar a um único discurso, a economia do século XXI irá escolher entre Keynes, o monetarismo, a teoria do mercado racional ou a economia do comportamento, para encontrar uma nova fusão.

A ideia condensada: Intervir quando as pessoas não são racionais.

Cronologia:

  • 1776: Publicação de A Riqueza das Nações de Adam Smith
  • Anos 1930: A Grande Depressão dá início às políticas keynesianas
  • Início dos anos 1980: As ideias monetárias são implementadas por Ronald Reagan e Margaret Thatcher
  • Anos 1990: A economia do comportamento ganha popularidade
  • Anos 2000: Começa a ganhar apoiantes uma nova fusão da economia
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